Na sequência da entrada poética no novo ano, e porque isto de estudar Bioquímica não nos deve alhear de ter uma perspectiva mais geral da Cultura, coloco aqui um texto elaborado por uma amiga de Humanidades sobre o autor do poema "Poetry and Science", de 1943:
É muito curiosa esta apologia de uma "poesia de factos". No fundo, o que MacDiarmid pretendia era demonstrar a complementaridade e unidade última dos vários saberes (e da própria realidade): todos contribuem, de formas diversas, para alargar a consciência humana. Os compartimentos estanques apenas interessam a navios em afundamento, escreveu ele um dia... Mas, é claro, a arte ocupa para MacDiarmid o lugar cimeiro: todo o conhecimento é organizado pela arte e gravita em torno dela. É a arte e, sobretudo, a poesia que permite que os factos "dancem" em conjunto, se relacionem e se tornem compreensíveis e acessíveis a todos. Cabe-lhe acordar as pessoas para a poesia já existente no mundo - os "factos", quer do quotidiano quer da ciência, são, em si, poesia! Foi por isso que MacDiarmid dedicou grande parte da vida à tentativa de escrever um poema gigantesco, uma síntese cultural abrangente de todos os saberes, que acordasse as consciências (especialmente dos escoceses...) para as potencialidades infindáveis do mundo e do conhecimento, e desse lugar a uma nova "consciência universal". MacDiarmid foi o anti-utilitarista por excelência.
DK
Nota: o poema pode ser encontrado em: The Complete Poems of Hugh MacDiarmid, eds. Michael Grieve and W. R. Aitken (Harmondsworth: Penguin, 1985) 630-631