" /> Bioquímica (s)em rede: janeiro 2005 Archives

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janeiro 28, 2005

O nome ou a coisa?

De Galileu, no seu livro "Diálogo sobre os dois principais sistemas de mundo" (1632):

[...]
Simplício: A causa deste efeito [que move as coisas para baixo] é bem conhecida; toda a gente sabe que é a gravidade.


Salviati: Estás errado, Simplício; o que deves dizer é que toda a gente sabe que o seu nome é "gravidade". O que eu quero saber não é o nome da coisa, mas a sua essência, da qual tu sabes tanto quanto o que sabes sobre o que move as estrelas. Aceito o nome que lhe foi atribuido e que se tornou uma palavra comum pela experiência contínua que dela temos diariamente. Mas nós não sabemos realmente qual o princípio ou força que move as pedras para baixo ...
[...]

janeiro 20, 2005

Descrição correcta?

[...]
In the broad literature on human motivation, there are frequent discussions of three factors that can influence different people in varied ways. Some people respond primarily to the chalenge of mastering something, getting inside a subject and trying to understand it in all its complexity. Such people are considered deep learners. Others react well to competition, to the quest for the gold and the chance to do better than anyone else. While that can be a strong motivation for some, it can sometimes hinder learning. In the classroom, such individuals frequently become strategic learners, interested in making the high grades but seldom willing to grapple deeply enough to change their own perceptions. They learn for the test and then quickly expunge the material to make room for something else. "They are", Craig Nelson, a biology professor from Indiana noted, "bulimic learners." Finally, we encounter people who seek primarily to avoid failure, what the literature calls "performance-avoiders." In the classroom, they often become surface learners, never willing to invest enough of themselves to probe a topic deeply because they fear failure, so they stick with trying to cope, to survive. They often resort to memorizing and trying simply to reproduce what they hear.
[...]

Ken Bain, (2004). In: "What the best college teachers do", (pp. 207), Harvard University Press, p. 40.

(Publicada simultaneamente no Que Universidade?)

janeiro 14, 2005

"Fruta da época"

Uma circunstância particular que me ocorreu inspirou-me esta entrada, não sendo difícil adivinhar a razão. A grande enciclopédia internética tem resposta para (quase) tudo: Influenza: The Disease. Espero que não sejam apanhados também, caros alunos. Não dá muito jeito em época de exames.

janeiro 10, 2005

Plágios e Citações II

Para benefício de quem não seguiu a ligação sugerida na entrada anterior, aqui ficam as ligações para a versão inglesa e portuguesa de um documento mais simples sobre a mesma matéria:

Plagiarism

Plágio

janeiro 08, 2005

Plágios e citações

Uma entrada importante sobre o assunto do título foi recolocada no Holocénico. Intitula-se "Citações" e é de 7 de Janeiro. Recomendo a sua leitura, já que as questões éticas pertencem a uma área de formação que não está, geralmente, abrangida por muitos cursos universitários. Vão dizer-me, provavelmente, que terão dificuldades com a compreensão do texto. Será, mas a importância do assunto abordado não diminui ou desaparece por esse facto.

janeiro 06, 2005

Hugh MacDiarmid (1892-1978)

Na sequência da entrada poética no novo ano, e porque isto de estudar Bioquímica não nos deve alhear de ter uma perspectiva mais geral da Cultura, coloco aqui um texto elaborado por uma amiga de Humanidades sobre o autor do poema "Poetry and Science", de 1943:

É muito curiosa esta apologia de uma "poesia de factos". No fundo, o que MacDiarmid pretendia era demonstrar a complementaridade e unidade última dos vários saberes (e da própria realidade): todos contribuem, de formas diversas, para alargar a consciência humana. Os compartimentos estanques apenas interessam a navios em afundamento, escreveu ele um dia... Mas, é claro, a arte ocupa para MacDiarmid o lugar cimeiro: todo o conhecimento é organizado pela arte e gravita em torno dela. É a arte e, sobretudo, a poesia que permite que os factos "dancem" em conjunto, se relacionem e se tornem compreensíveis e acessíveis a todos. Cabe-lhe acordar as pessoas para a poesia já existente no mundo - os "factos", quer do quotidiano quer da ciência, são, em si, poesia! Foi por isso que MacDiarmid dedicou grande parte da vida à tentativa de escrever um poema gigantesco, uma síntese cultural abrangente de todos os saberes, que acordasse as consciências (especialmente dos escoceses...) para as potencialidades infindáveis do mundo e do conhecimento, e desse lugar a uma nova "consciência universal". MacDiarmid foi o anti-utilitarista por excelência.

DK

Nota: o poema pode ser encontrado em: The Complete Poems of Hugh MacDiarmid, eds. Michael Grieve and W. R. Aitken (Harmondsworth: Penguin, 1985) 630-631

Livro recomendado

Ken Bain, (2004). "What the best college teachers do", (pp. 224), Harvard University Press

Ver entrada no Que Universidade?

janeiro 03, 2005

Recomeço

Haverá melhor maneira de dar início ao novo ano (e antes das dúvidas inundarem o blogue) do que um começo poético?

Constantly, I seek a poetry of facts,
Even as
The profound kinship of all living substance
Is made clear by the chemical route.
Without some chemistry one is bound to remain
Forever a dumbfounded savage
In the face of vital reactions.
The beautiful relations
Shown only by biochemistry
Replace a stupefied sense of wonder
With something more wonderful
Because natural and understandable.

Hugh MacDiarmid