Um comentário à entrada anterior levou-me a reflectir um pouco sobre o significado de copiar.
Copiar é uma forma de auto-desqualificação, um reconhecimento de incapacidade para fixar ou compreender um determinado assunto ou aspecto da matéria. Tem ainda a desvantagem de ser um comportamento adictivo: resultando uma vez, passa a haver uma tendência para a maior utilização da estratégia.
Um aspecto curioso tem a ver com o facto de ser uma estratégia de curto prazo (entregar um relatório a tempo; passar à disciplina; terminar o curso) com possíveis consequências a longo prazo, na vida profissional do indivíduo. É uma aceitação da mediocridade, uma recusa da procura da excelência.
Mais: é aceitar jogar o jogo das notas, com regras que não se controlam. É geralmente aceite que as notas obtidas não reflectem o real valor da pessoa como estudante. Há aspectos a considerar que as notas ignoram totalmente, mas que são altamente importantes para a actividade profissional. Como por exemplo a capacidade de trabalhar em equipa ou a capacidade de síntese, essencial à elaboração de relatórios credíveis.
Muitas das disciplinas iniciais de um curso superior fornecem ferramentas de base para o trabalho futuro. A recusa a tentar compreendê-las, o não tentar transformá-las em conhecimento que possamos chamar nosso, porque fruto do nosso trabalho, resultará forçosamente em trabalho extra no futuro ou no uso de estratégias mais ou menos viciadas para não fazer ou passar o trabalho a outros. Não é propriamente um futuro brilhante para um jovem promissor que frequenta neste momento o Ensino Superior.
É, naturalmente, uma escolha individual. Que não se faz sem esforço. Valerá a pena?