Peço desculpa pelo título inglês. Alíás, aceito sugestões para a substituição de "blues" por uma palavra portuguesa que descreva tão bem a depressão que acompanha muita da nossa actividade lectiva. Até reservo uma variante da expressão para a fase de correcção de testes e exames, "grading blues". Suponho que estou a escrever sobre um tema que é familiar à maioria dos leitores do "Que Universidade?".
A questão que se coloca a cada um de nós é o que fazer para evitar esta situação. Claro que podemos sempre "defender-nos" dizendo que a culpa é do Ensino Básico, do Secundário, ou da forma como foi dada a disciplina x do currículo do curso. Mas, este "mas" é importante, fazê-lo não resolve o problema em si. Os "blues" só se podem evitar ou diminuir com acções concretas. Uma delas é "desligar" da componente lectiva e dedicar o tempo a actividades mais recompensadoras, como a investigação. Infelizmente, é uma "saída" muito pouco ética e, espero, cada vez menos defensável no Ensino Superior.
Quem me conhece já sabe da minha "costela" optimista, não estranhando estas esperanças de difícil justificação. Por isso, sugiro hoje a leitura de dois textos sobre a filosofia de Ensino, se bem que bastante orientados para a área da Química. Ambos apareceram no mesmo número do "Journal of Chemical Education", levantando dois problemas de aplicação mais vasta. Aliás, daqui resulta outra possibilidade de actividade redutora dos "blues": escrever sobre a experiência adquirida, partilhando com outros as nossas reflexões.
O primeiro, um editorial, refere-se à questão da "especialização" dos alunos na feitura de testes e exames, sem qualquer relação com a compreensão da matéria:
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Both Delbanco and I think our students are wonderful to teach and work with, but we agree that they are far too concerned about grades, graduation, and getting a good job. We fear that they are unaware of the joy and value of learning for its own sake, and we wonder whether they have an adequate perception of what it means to really understand a subject. At least part of this problem can be attributed to overemphasis on testing and test-taking ability--today's students do have more test-taking savvy. As David Reingold puts it on page 869 of this issue, some students have "learned to get decent grades without understanding anything." This is a kind of learning we should discourage as strongly as we can. Learning how to take chemistry tests is not the same as learning chemistry.
[...]
JWMoore, (2001). Testing, testing, J. Chem. Educ. 78(7): 855
O outro, um comentário (de facto, a referência incluida no excerto anterior), sugere que se faça uma análise do curriculo do curso para perceber melhor qual a ordem das matérias e o conteúdo das disciplinas que mais se adequam à formação prentendida para os estudantes. Um excerto do texto mostra uma razão eminentemente prática da alteração que o autor sugere:
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Organic [Chemistry] offers a great context for many of the topics of general chemistry. Topics like kinetics, equilibrium, hybridization, etc., can be introduced, not because we have reached Chapter 5, but because we need them in order to understand something, and we will then proceed to use them over and over.
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IDReingold, (2001). Bioorganic First: A New Model for the College Chemistry Curriculum, J. Chem. Educ. 78(7): 869 (a partir da página do autor, já que a referência directa requer uma assinatura "online" da revista).
Nota: publicada simultaneamente no Que Universidade?