" /> Bioquímica (s)em rede: março 2005 Archives

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março 31, 2005

Números bioquímicos

Há alguns factos bioquímicos que poderiam fazer parte de um jogo de "Trivial Pursuit" pela estranheza que causam. Ora apreciem:

[...] Nonetheless, peptide bonds are quite stable kinetically; the lifetime of a peptide bond in aqueous solution in the absence of a catalyst approaches 1000 years
[...]

JMBerg, JLTymoczko & LStryer, (2002). In: Biochemistry (5th. edition), p. 51.

março 29, 2005

Outros sistemas de Ensino Superior

Uma visão breve da organização do Ensino Superior na Noruega:

Viagem pelo Ensino Superior na Noruega

março 28, 2005

Workshop "Effective Teaching"

Relembro que vai ter lugar um "workshop" sobre técnicas de ensino na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho. As inscrições estão abertas, sendo que as efectuadas antes de 15 de Abril são mais baratas. Ver mais informação em: "General Information"

Comunicação científica

Depois destas férias, de que é suposto regressarmos de cabeça fresca e prontos para atravessar o longo mês de Abril, deixo aqui uma sugestão de leitura que recolhi no blogue Conta Natura. É um texto de um cientista que ganhou o Prémio Nobel em Medicina e Fisiologia em 1960, Peter Medawar, que se intitula "Is the scientific paper a fraud?" (pp. 6). Apesar do título polémico, é uma excelente leitura, tanto para a prática do inglês como para uma discussão, em linguagem acessível, da diferença entre o modo de fazer e de relatar a ciência.

março 22, 2005

Bioquímica da vida real

Se ouvirem falar de compostos isoprenóides (derivados de isopreno), é possível que pensem que lá vem mais uma matéria chata e química quanto baste. No entanto, são derivados daquele composto de 5 carbonos que são os responsáveis por cores, aromas e sabores espalhados por todo o mundo vivo.

Deixo aqui uma sugestão: explorar visualmente o mapa "Isoprene Products", um dos que fazem parte do Mini-Maps de DNicholson já referidos neste blogue (Recursos "metabólicos"). Vão ver que os isoprenóides têm mais importância na nossa vida do que imaginamos à partida.

março 15, 2005

Humor em sítios improváveis II

Ora reparem bem neste exemplo de "british humor":

[...] Books often evolve from their precursors and hence exhibit almost hereditary deficiencies so that certain inadequacies of presentation are perpetuated to the confusion of sucessive generations of students. Textbooks can still suffer from inborn errors of metabolism!
[...]

DENicholson, 1997. Further Reflections on Metabolic Cartography - Twenty-five Years on, Biochem. Educ. 25(2): 62-70.

PS: Desta vez, não facilito a vida aos meus caros leitores. Se quiserem descobrir alguns dos tais erros dos livros, vão ter que procurar o artigo na "net" ou numa biblioteca. Também faz parte das competências a adquirir num curso superior.

História(s) da Bioquímica

Estudar Bioquímica é mais do que assistir a aulas e ler dos livros básicos um resumo do estado actual dos conhecimentos na área. A Bioquímica tem uma História, onde aconteceram sucessos e fracassos. Também tem histórias, aqueles episódios recordados por intervenientes que nos dão a noção concreta de que os bioquímicos são homens com qualidades e defeitos. Deixo aqui um (pequeno) subsídio para quem estiver interessado e dispuser de algum tempo para ler as 5 páginas seguintes:

HGest, 2002. Landmark Discoveries in the Trail from Chemistry to Cellular Biochemistry, with Particular Reference to Mileposts in Research on Bioenergetics, Biochem. Mol. Biol. Educ. 30(1): 9-13.

março 13, 2005

"Teaching blues"

Peço desculpa pelo título inglês. Alíás, aceito sugestões para a substituição de "blues" por uma palavra portuguesa que descreva tão bem a depressão que acompanha muita da nossa actividade lectiva. Até reservo uma variante da expressão para a fase de correcção de testes e exames, "grading blues". Suponho que estou a escrever sobre um tema que é familiar à maioria dos leitores do "Que Universidade?".

A questão que se coloca a cada um de nós é o que fazer para evitar esta situação. Claro que podemos sempre "defender-nos" dizendo que a culpa é do Ensino Básico, do Secundário, ou da forma como foi dada a disciplina x do currículo do curso. Mas, este "mas" é importante, fazê-lo não resolve o problema em si. Os "blues" só se podem evitar ou diminuir com acções concretas. Uma delas é "desligar" da componente lectiva e dedicar o tempo a actividades mais recompensadoras, como a investigação. Infelizmente, é uma "saída" muito pouco ética e, espero, cada vez menos defensável no Ensino Superior.
Quem me conhece já sabe da minha "costela" optimista, não estranhando estas esperanças de difícil justificação. Por isso, sugiro hoje a leitura de dois textos sobre a filosofia de Ensino, se bem que bastante orientados para a área da Química. Ambos apareceram no mesmo número do "Journal of Chemical Education", levantando dois problemas de aplicação mais vasta. Aliás, daqui resulta outra possibilidade de actividade redutora dos "blues": escrever sobre a experiência adquirida, partilhando com outros as nossas reflexões.

O primeiro, um editorial, refere-se à questão da "especialização" dos alunos na feitura de testes e exames, sem qualquer relação com a compreensão da matéria:

[...]
Both Delbanco and I think our students are wonderful to teach and work with, but we agree that they are far too concerned about grades, graduation, and getting a good job. We fear that they are unaware of the joy and value of learning for its own sake, and we wonder whether they have an adequate perception of what it means to really understand a subject. At least part of this problem can be attributed to overemphasis on testing and test-taking ability--today's students do have more test-taking savvy. As David Reingold puts it on page 869 of this issue, some students have "learned to get decent grades without understanding anything." This is a kind of learning we should discourage as strongly as we can. Learning how to take chemistry tests is not the same as learning chemistry.
[...]

JWMoore, (2001). Testing, testing, J. Chem. Educ. 78(7): 855

O outro, um comentário (de facto, a referência incluida no excerto anterior), sugere que se faça uma análise do curriculo do curso para perceber melhor qual a ordem das matérias e o conteúdo das disciplinas que mais se adequam à formação prentendida para os estudantes. Um excerto do texto mostra uma razão eminentemente prática da alteração que o autor sugere:

[...]
Organic [Chemistry] offers a great context for many of the topics of general chemistry. Topics like kinetics, equilibrium, hybridization, etc., can be introduced, not because we have reached Chapter 5, but because we need them in order to understand something, and we will then proceed to use them over and over.
[...]

IDReingold, (2001). Bioorganic First: A New Model for the College Chemistry Curriculum, J. Chem. Educ. 78(7): 869 (a partir da página do autor, já que a referência directa requer uma assinatura "online" da revista).

Nota: publicada simultaneamente no Que Universidade?

março 12, 2005

A força da curiosidade

Um belo excerto de Stephen Jay Gould sobre a curiosidade como força por detrás da evolução das ideias na espécie humana. Ser de ciências não se deve desligar de ter uma cultura mais ampla. A poesia da ciência deve muito a essa capacidade para a fascinação, separada de qualquer objectivo de aplicação.

[...]
I recognize this functional need to know, and I surely honor it as a driving force in human history. But when Paleolithic Og looked out of his cave and up at the heavens — and asked why the moon had phases, not because he could use the information to boost his success in gathering shellfish at the nearby shore, but because he sensed, however dimly, that something we might call recurrent order, and regard as beautiful for this reason alone, must lie behind the overt pattern — so did humanity as well.
[...]

SJGould (1997). In: Questioning the millennium. A rationalist's guide to a precisely arbitrary countdown, Harmony Books, New York, p. 157.

março 10, 2005

Recursos educativos (KEGG)

Já conhecem a KEGG (Kyoto Encyclopedia of Genes and Genomes) e os seus excelentes mapas metabólicos?

março 04, 2005

Humor em sítios improváveis

Por vezes, os autores científicos escrevem coisas inesperadas no meio dos seus textos científicos, dando-nos assim uma indicação da presença da pessoa por detrás do cientista. Um exemplo pode ser encontrado nas páginas 2-3 da quarta edição do "Lehninger Principles of Biochemistry":

[...] The range of habitats in which organisms live, from hot springs to Artic tundra, from animal intestines to college dormitories, is matched by a corresponding wide range of specific biochemical adaptations, achieved within a common chemical framework. [...]

Confesso não estar bem a ver quais serão as adaptações bioquímicas específicas à vida em residências universitárias, mas acho graça à referência, eventualmente dirigida à audiência universitária norte-americana. Alguma sugestão da parte da audiência portuguesa?

março 01, 2005

Visão geral do metabolismo

Uma sugestão para os alunos que estão neste momento a iniciar o estudo de Bioquímica II: um artigo sobre o ciclo energético nos animais, proveniente da Encyclopedia of Life Sciences (acesso livre da rede da Universidade de Coimbra). Dá uma visão geral do armazenamento, mobilização, transporte e utilização dos combustíveis metabólicos para produção de ATP.

Energy Cycle in Vertebrates

A recomendação tem uma razão de ser: eu acho que, muitas vezes, o entendimento dos factos isolados que constituem a matéria de uma disciplina deste tipo só é possível (e só é compreensível) quando se tem uma visão global do funcionamento do organismo.