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Descritores de Dublin

O título desta entrada pode parecer pouco claro a quem não está habituado ao "bolonhês" e à reforma que se tem vindo a verificar no Ensino Superior europeu. Pode até parecer distante, mas de facto, vai afectar a vida dos futuros estudantes e também a dos actuais. Como matéria de reflexão, deixo aqui uma citação do Anteprojecto de Decreto-Lei sobre os "Graus académicos e diplomas do ensino superior". A citação é o artigo 5º do referido Anteprojecto, precisamente aquele que, baseado nos Descritores de Dublin, define as competências de um licenciado:

[...]
CAPÍTULO II

Licenciatura

Artigo 5.o

Grau de licenciado

O grau de licenciado é conferido aos que demonstrem:

a) Possuir conhecimentos e capacidade de compreensão numa área de formação a um nível que:

i) Sustentando-se nos conhecimentos de nível secundário, os desenvolva e aprofunde;
ii) Corresponda e se apoie em materiais de ensino de nível avançado;
iii) Em alguns dos domínios dessa área, se situe ao nível dos conhecimentos de ponta da mesma;

b) Saber aplicar os conhecimentos e a capacidade de compreensão adquiridos, de forma a evidenciarem uma abordagem profissional ao trabalho desenvolvido na sua área vocacional;

c) Capacidade de resolução de problemas no âmbito da sua área de formação e de construção e fundamentação da sua própria argumentação;

d) Capacidade de recolher, seleccionar e interpretar a informação relevante, particularmente na sua área de formação, que os habilite a fundamentarem as soluções que preconizam e os juízos que emitem, incluindo na análise os aspectos sociais, científicos e éticos relevantes;

e) Competências que lhes permitam comunicar informação, ideias, problemas e soluções, tanto a públicos constituídos por especialistas como por não especialistas;

f) Competências de aprendizagem que lhes permitam uma aprendizagem ao longo da vida com elevado grau de autonomia.
[...]

Dá que pensar, não dá?

Referências:

Anteprojecto de decreto-lei

Descritores de Dublin (em inglês)

Comentário(s)

Dá que pensar sim senhor...


Dá que pensar sim senhor...principalmente na forma de como, no actual sistema, serão avaliadas essas capacidades.

Não só avaliadas, também é preciso saber como serão promovidas.


Para essa dúvida ,infelizmente, a resposta é demasido fácil - simplesmente não serão promovidas - daí surgirá a dificuldade em avaliar. Como pode avaliar quem não consegue promover? Isto, claro, com o devido senso de justiça!