Matéria de reflexão
Já não será para este ano lectivo, porque já vamos adiantados nos exames, mas cá fica para o próximo:
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I latched on to the idea that to pass you got a clear view of what you were expected to know, and learnt it, word for word. Not much thinking. Just learn the sacred texts. I had no more trouble passing university examinations. Unfortunately, the apparent success of this mind-stunting technique impressed me and retarded my mind’s development for years to come.
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JPPowell (1985) ‘The residues of learning: Autobiographical accounts by graduates of the impact of higher education’, Higher Education 14: 127–47.
(Citado em: PRamsden (1992). Learning to Teach in Higher Education. Routledge, p. 28.)
Comentário(s)
De 1998 a 2002 usei as palavras que me eram ditadas por mentes brilhantes sem pensar muito nelas de forma a conseguir chegar ao objectivo daquele período: concluir com sucesso um grau de licenciatura garantindo a independência económica. Tive sucesso mas fracassei na aprendizagem. Na altura tinha tempo e nao me preocupei em conhecer verdadeiramente. Hoje reingressada na realidade estudantil, não tenho o tempo que gostaria para me dedicar mas tenho a consciência do erro cometido, e tendo a independência económica, agarro-me à vontade de conhecer e de desta vez não levar apenas palavras que se esquecem, mas sim exercícios de pensamento de maneira a não me sentir como programa mas sim como programador.
Publicado por: veras | setembro 29, 2006 02:14 AM
Tenho uma aluna exactamente nesta situação, a frequentar uma nova licenciatura, depois de uma em área completamente diferente. E que a aluna! Não sei se Veras é o seu pseudónimo, mas bem podia ser.
Publicado por: JVC | outubro 7, 2006 09:54 AM
Identifico-me, em parte, com o que escreve Veras, pois também eu fiz duas licenciaturas (primeiro Direito, depois LLM) em circunstâncias similares. Acrescento, porém, que tenho cada vez mais a convicção de que o nosso meio universitário é extraordinariamente inóspito, para não dizer abertamente hostil, à liberdade e à independência de pensamento. Ao nível da licenciatura e do mestrado, a "independência" ainda é olhada com alguma benevolência, mas, a partir do doutoramento, quem deseja de facto pensar por si, fora do sistema dominante das cunhas, do nepotismo e do pensamento único - passar da tal condição de "programa" a "programador" -, encontrará obstáculos intransponíveis e será invariavelmente objecto de represálias e das mais subtis formas de ostracismo, sem que se possa defender ou recorrer a uma entidade independente para pôr fim a este estado de coisas. A única solução é mesmo emigrar! E enquanto assim for, as universidades portuguesas nunca terão nem formarão massa crítica, não tenhamos ilusões...
Publicado por: DK | outubro 8, 2006 04:31 PM